"Chove chuva, chove sem parar..." Sempre penso na vida e na purificação quando me desce tanta água na cabeça. O sincretismo religioso também aflora, e me vêm as divindades aquáticas e suas nuances. Mas a ordem do dia, ecológica, é a que mais choca, porque, segundo os "especialistas", estamos com os dias contados (nós, raça humana, porque esse planeta resiste a tudo, só muda a casca). Andando e reparando, sonho com o dia da vingança da água: o Largo do Machado era uma lagoa, assim como uma grande área do centro, próximo à 1º de Março e outros locais invadidos pelo progresso. O Aterro do Flamengo se incrimina pelo nome, e as antigas imagens da Lagoa Rodrigo de Freitas me fazem chorar (de ódio). "Oh chuva, peço que caia devagar..." Sempre imagino o mar e as chuvas vindo e se reestabelecendo, indeterminadamente. Aquela bacia em se transformou a praia de Copacabana, O sufoco da invasão sobre a margem do Arpoador e Praia do Diabo, as pistas de velocidade na Praia de Botafogo. Uma lagoa no Largo do Machado me deixaria mais feliz que se o Rio Carioca rompesse todas as suas amarras e jorrasse livre, límpido e fugaz do Cosme Velho até a Praia do Flamengo, de novo! "chove lá fora e aqui faz tanto frio..." Me remeto, entre ondas e banzeiros, ao desejo fluvial da Floresta Encantada! Ah se meu Seringal Aquiry tivesse sido adornado por pessoas sensatas, mantenedoras dos seus mananciais naturais de água doce e rica em alimentos. Tudo bem que minha querida Habitasa da infância, na Colocação Rio Branco, não existiria, mas, quer saber? Mil vezes ter morado no alto e caçado sapos e calangos naquele sítio de igarapés e igapós que ver, ano após ano, a agonia das águas podres de lixo invadirem as ruas das redondezas! E os igarapés que cortavam toda a cidade e foram reduzidos a pó? (não, não foram trocados por cocaína boliviana ou peruana, foram soterrados pelo asfalto que não pertence ao nosso meio amazônico! Nunca será!). E resta o discurso, às mergens do natimorto Rio Acre, de que se pensa a natureza por ali (só se for a natureza morta do dinheiro, que move os subterrâneos de campanhas, financiamentos, representação parlamentar e outras idiossincrasias). Que venaha a chuva de Noé! Pelo menos sobrarão os peixes pra nos comer as carnes e reproduzir a evolução... VIVA O TUCUNARÉ! (aaah uma caldeirada agora, com esse clima...)
NIETZSCHE 7.
O cristianismo é chamado de religião da compaixão. - A compaixão se encontra em oposição aos afetos tônicos que elevam a energia da disposição para viver: ela tem efeito depressivo. Perde-se a força quando se é compassivo. Através da compaixão, aumenta e se multilpica ainda mais a perda de força que, em si, o sofrimento já traz à vida (Em alemão, "compaixão" é Mitleiden, e "sofrimento", Leiden. "Afeto", pouco antes, é a nossa tradução para Affekt, termo que em alemão costuma ter uma conotação mais intensa, veemente (emoção, paixão) - também presente no português, mas significativamente atenuada pelas conotações mais comuns de "ternura" ou de "sentimento amoroso") O próprio sofrimento se torna contagioso através da compaixãoç sob determinadas circunstâncias, pode-se alcançar com ela uma perda total de vida e de energia vital que está numa proporção absurda com o quantuum (quantidade) da causa (o caso da morte do nazareno). Esse é o primeiro aspecto; mas há ainda um mais importante. Supondo-se que se meça a compaixão segundo o valor das reações que costuma produzir, seu caráter perigoso à vida aparece sob uma luz ainda mais clara. A compaixão se opõe de um modo geral à lei da evolução, que é a lei da seleção. Ela conserva o que está maduro para o soçobro, ela luta em favor dos deserdados e condeandos pela vida, ela dá à própria vida um aspecto sombrio e questionável através da abundância de malogrados de todo tipo que conserva vivos. Ousou-se chamar a compaixão de virtude (em toda moral nobre ela é considerada fraqueza); foi-se mais longe, fez-se dela a virtude, o solo e a fonte de todas as virtudes - todavia, que se tenha isso sempre em mente, a partir do ponto de vista de uma filosofia que era niilista, que inscreveu a negação da vida em seu brasão, Schopenhauer tinha razão de fazê-lo: a vida é negada pela compaixão, é tornada mais digna de negação - a compaixão é a prática do niilismo. Repito: esse instinto depressivo e contagioso se opõe àqueles instintos voltados à conservação e à elevação do valor da vida: tanto como multiplicador da desgraça quanto como conservador de tudo que é desgraçado, ele é um instrumento capital para a intensificação da décadence - a compaixão persuade ao nada!... Não se diz "o nada": em vez disso diz-se "o além"; ou "Deus"; ou "a vida verdadeira"; ou nirvana, salvação, bem-aventurança... Esa retórica inocente do âmbito da idiossincrasia moral-religiosa aparece de imediato muito menos inocente quando se compreende qual tendência aí se envolve no mantod e palavras sublimes: a tendência hostil à vida. Schopenhauer era hostil à vida: por isso a compaixão se tornoui uma virtude para ele... Aristóteles, como se sabe, via na compaixão um estado doentio e perigoso, do qual era bom dar conta, vez por outra, com um purgativo: ele entendia a tragédia como purgativo (Aristóteles, Poética, 1449b 27-28; 1435b 1ss). A partir do instinto da vida, seria realmente necessário procurar um meio de dar uma agulhada nessa acumulação doentia e perigosa de compaixão, como representada pelo caso de Schopenhauer (e, infelizmente, também de toda a nossa décadence literária e artística de São Petesburgo a Paris, de Tolstói a Wagner): para que ela estoure... Nada é mais malsão, em emkio à nossa malsã modernidade, que a compaixão cristã. Ser médico aí, ser impiedoso aí, manejar aí o bisturi - é o que cabe a nós, é a nossa espécie de amor à humanidade, assim nós somos filósofos, nós, os hiperbóreos!
NA SOMBRA...
Vem comigo?
sexta-feira, 27 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
DÍVIDAS...
Como se faz para dever tanto quanto clubes de futebol, empresas multinacionais e empresários nacionais de grande porte? Bom, creio que "dever" eu até sei, e bem, mas não entendo como cresce tanto sem ser incomodado, sem a Receita Federal, o SPC, SERASA e demais joguetes do sistema aos seus pés...
Como?
Qual foi o esquema principal usado pelos políticos para falir os bancos estaduais?
Alguém, um dia na vida, vai pagar esse pato?
Nietzsche 6.
Foi um espetáculo doloroso, horripilante, que se abriu para mim: puxei a cortina que escondia a corrupção do homem. Em minha boca, essa palavra está protegida ao menos de uma suspeita: a de conter uma acusação moral contra o homem. Ela é pensada - gostaria de sublinhá-lo mais uma vez - sem moralina: e isso a tal ponto, que senti essa corrupção com mais intensidade exatamente lá onde até agora se aspirou do modo mais consciente à "virtude", à "divindade". Entendo a corrupção, já se percebe, no sentido de décadence: minha tese é a de que todos os valores em que a humanidade agora concentra a sua aspiração suprema são valores da décadence.
Chamo um animal, uma espécie, um indivíduo de corrompidos quando eles perdem seus instintos, quando escolhem, quando preferem o que lhes é prejudicial. Uma história dos "sentimentos superiores", dos "ideais da humanidade" - e é possível que eu tenha que narrá-la - também seria quase a explicação de por que o homem está tão corrompido.
Considero a prórpia vida como instinto de crescimento, de duração, de acumulação de forças, como instinto para o poder: onde falta a vontade de poder, ocorre declínio. Minha tese é a de que todos os valores supremos da humanidade carecem desa vontade - que sob os nomes mais sagrados há valores de declínio, valores niilistas no comando.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
ARMAS DE FOGO
Quando se vê, hoje em dia, a mesma merda de antes em relação a uso de armas de fogo por bandidos, psicopatas, malandros, manés, crianças e qualquer tipo de bosta humana, a lembrança do "referendo do desarmamento" diz só duas coisas: hipocrisia e dinheiro gasto à toa - e ganho por alguém ligado aos políticos da época, lógico!
Tudo que o governo quer enfiar pela sua goela abaixo é tratado como "urgente", entra na fila de julgamento do Congresso Nacional com o nome de MEDIDA PROVISÓRIA, arma azeitada por FHC pra deitar e rolar sobre a Constituição Federal, sem que os guardiões, do STF (gritaram ao mundo esse posto, ao votar CONTRA a Lei da Ficha Limpa), sequer dessem um peidinho de protesto!
POis bem. Já é sabido por todos os estudiosos e especialistas em violência do Brasil que mais de 80% das armas usadas nos crimes são produzidas e vendidas aqui mesmo!
É esse poderoso grupo, que lucra pelo mundo a fora mais que o tráfico de drogas, que manda no pedaço.
Nem se iludam.
Vem mais um show do palhaço por aí, com debates, mobilizações e gasto inútil de dinheiro público, tudo com muita hipocrisia.
Só pra deixar a poderosa indústria de armamento nacional do jeitinho que está hoje: faturando horrores, associada à indústria do medo, que te vende segurança (falsa).
Te fode.
Nietzsche 5.
Não se deve adornar e enfeitar o cristianismo; ele travou uma guerra de morte contra esse tipo superior de homem, ele proscreveu todos os instintos fundamentais desse tipo, ele destilou o mal, o homem mau, a partir desses instintos - o homem forte como o que há de tipicamente reprovável, o "réprobo". O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, vil e malogrado, ele fez um ideal a partir da contradição aos instintos de conservação da vida forte; ele corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes espiritualmente quando ensinou a sentir os valores supremos da espiritualidade como pecaminosos, enganadores, como tentações. O exemplo mais deplorável - a corrpupção de Pascal, que acreditava na corrupção de sua razão através do pecado original, enquanto ela apenas fora corrompida pelo seu cristianismo!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
BOLSONAROS DE PLANTÃO!
Quanta babaquice sobre o que Bolsonaro disse!
Ele tem o direito de fazê-lo, e a responsabilidade de assumir as consequências.
Sempre disse que é da direita, se elegeu com discurso duríssimo, extremo. Elegeu o filho do mesmo jeito. Teve mais de 500 mil votos, representa alguém.
Você gosta deles? Não? Problema seu.
Os patrulheiros ideológicos esquecem da liberdade individual, talvez pela estrutura escrota que o país tem de representatividade, alienação, ignorância, isso tudo com uma "elite intelectual progressista, democrática, politicamente correta"...
ANTES de gritar contra o ditadorzinho, grite pelo resto do país! E os outros 800 políticos do Congresso Nacional que, apesar de não falar nada, roubam, saqueiam, destroem vidas a fio, assassinatos, tráfico de inflûncia e drogas, armas e sabe-se lá o que mais, grileiros, trabalho escravo, negociatas em todas as esferas dos três poderes, podridão sem fim, carnificina na ciranda financeira, transformando o Brasil num cassino cruel (Talvez por isso não permitam cassinos aqui, pra poderem jogar sozinhos e depois ir gastar nosso dinheiro nas mesas de apostas gringas...Pergunte se algum político brasileiro já foi em Las Vegas...).
Além disso, me indigna bastante também o silêncio sobre os evangélicos e demais religiosos.
Em qualquer canal de TV, aberta ou não, qualquer horário, eles estão lá! Curando AIDS, homossexualismo, retirando tumores com o poder da mente, fazendo nascer órgãos que foram extirpados (é! já vi um cara que tinha perdido o pulmão e, depois de orar bastante, quando fez outra radiografia, voilá, tinha nascido um pulmão, pela mão do nosso senhor jesus cristo, na benção de deus).
Com isso, arrecadam bilhões de dinheiros, sem nenhum controle pelos órgãos públicos, dos pobres, ignorantes, desesperados.
Elegem seus parlamentares, que alteram as leis de acordo com a necessidade dos bispos, pastores, apóstolos e demais tocados pela mão divina (como a lei que extingue o estudo de impacto ambiental e de perturbação de vizinhança para construção e funcionamento de templos).
Enfim!
A velha moda de ser teleguiado pela emoção popular. Grita contra o Bolsonaro aê que ele é filho da puta! Gritou? Agora cala boca e volta pra tua vidinha de merda até poder fazer barulho no próximo escândalo.
Nietzsche 4.
A humanidade não representa um desenvolvimento rumo ao melhor ou ao mais forte ou ao mais elevado como hoje se acredita. O "progresso" é meramente uma idéia moderna, ou seja, uma idéia errônea. O valor do europeu de hoje fica muito abaixo do valor do europeu da Renascença; não há qualuquer relação necessária entre evolução e elevação, intensificação, fortalecimento.
Em um outro sentido, há um êxito permanente de casos isolados, nos mais diferentes lugares da Terra e no interior das mais diferentes culturas, que representam de fato um tipo superior; algo que, comparado ao todo da humanidade, é uma espécie de super-homem.* Tais acasos felizes de grande êxito sempre foram possíveis, e talvez sempre o sejam. E mesmo gerações, tribos e povos inteiros podem, às vezes, represenar semelhante acerto.
* "Super-homem" ainda continua sendo a melhor tradução para Ubermensch, preferível, a nosso ver, a "além-do-homem", opção de Rubens Rodrigues Torres Filho, e mesmo à excelente "além-homem", de Donald Schuler, forjada numa analogia com "além-mar". Ainda que esta última seja especialmente interessante, é deveras questionável, pois perde-se a clara referência a um distanciamento vertical, que é indicada por uber (sobre, acima), tão recorrente e importante em Nietzsche.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
CONGRESSO NACIONAL

Bichos saiam do lixo!
Baratas me deixem ver suas patas!
Ratos entrem nos sapatos dos cidadãos civilizados!
Pulgas que habitam minhas rugas!
Oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo: VÃO SE FODER! Porque aqui, na face da Terra, só bicho escroto é que vai ter!
PAU NO CU DO CONGRESSO NACIONAL!
AQUILO ALI É UMA AFRONTA À DIGNIDADE DOS BRASILEIROS!
JOGATINA, MARACUTAIA, CASSINO DE VIDAS ALHEIAS...
Nietzsche 3.
O problema que com isso coloco não se refere qo que deve substituir a humanidade na sucessão dos seres (o homem é um final), mas ao tipo de home que se deve cultivar, se deve querer como sendo o de mais alto valor, mais digno de vida, mais seguro de futuro.
Esse tipo de alto valor já existiu com bastante frequência: mas como um acaso feliz, uma exceção, jamais como algo desejado. Pelo contrário, precisamente ele foi o mais temido, foi até agora quase o temível; - e foi por temor que se quis, se cultivou, se alcançou o tipo contrário: o animal doméstico, o animal de rebanho, o animal doente homem - o cristão...
sábado, 2 de abril de 2011
PACIÊNCIA
As privatizações FHCianas se fazem presente no cotidiano, da forma mais negativa possível!
Pelo setor elétrico, NUNCA imaginei que São Paulo sofreria o mesmo que minha querida Floresta Encantada: apagões diários, aleatórios, imprevisíveis e, pra variar, sem ninguém responder por isso. No Rio de Janeiro, as galerias da LIGHT são bombas-relógio que já mataram e destruíram pela cidade (últimas vítimas ontem à noite, em Copacabana). Além disso, foi constatado oficialmente que as empresas cobraram A MAIS nas contas caseiras durante SETE ANOS, e conseguiram o "perdão" de reembolso da ANEEL, apesar das promessas contrárias feitas pelo bandidaço Édson Lobão (que já tem um filho entranhado nos 'ESQUEMAS'), nosso querido ministro das minas e energia.
Pelo setor de transporte, Il Capo Garotinho (Imunizado pelo atual mandato parlamentar, apesar de ser réu condenado como chefe da quadrilha das milícias e polícia civil do estado, junto ao parceiro-capanga Álvaro Lins) conseguiu repassar ao seu melhor amiguinho e financiador de suas campanhas, dono da empresa de transporte 1001, a rota mais valiosa (Região dos Lagos) além do controle das barcas que fazem as travessias na Baía de Guanabara - A quantidade de embarcações quebradas e à deriva ultimamente me faz enfrentar a ponte (nos ônibus da 1001). O metrô RJ, desde hoje, é o mais caro do mundo, proporcionalmente em relação ao tamanho de sua malha de cobertura - 3,10 reais - e funciona mal e porcamente, além da equipe de seguranças que adora dar porrada nos outros...
Por essas e outras, vamos ao segundo capítulo do amado alemão:
2.
O que é bom? - Tudo o que eleva a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem.
O que é ruim? - Tudo o que provém da fraqueza.
O que é a felicidade? - A sensação de que o poder cresce, de que uma resistência é superada.
Não o contentamento, porém mais poder; acima de tudo não a paz, mas a guerra; não a virtude, mas a excelência (virtude no estilo da Renascença, virtù, virtude sem moralina).
Os fracos e os malogrados devem sucumbir: primeira tese de nosso amor à humanidade. E ainda devem ser ajudados nisso.
O que e mais danosos do que qualquer vício? - A compaixão ativa por todos os malogrosos e fracos - o cristianismo...
* Em alemão, "sem moralina" é moralinfrei. O termo "moralina" (Moralin) designa a supota "substância" da moral, e é uma das tantas contribuições zombeteiras de Nietzsche ao idioma alemão.
FOTO: Metrô de Montreal\CAN
sexta-feira, 1 de abril de 2011
VOLTEI
Cacete!
Deu uma doida aqui e eu não conseguia mais abrir essa merda!
Mas, apesar de toda minha inabilidade cibernética, consegui voltar...
Então, pra comemorar, vamos fazer uma série de 62 capítulos com o mestre Nietzsche, que cunhou a frase "o eterno retorno é o mais pesado dos fardos"
Pra vocês, gotas do "O ANTICRISTÃO - MALDIÇÃO CONTRA O CRISTIANISMO"
DIVIRTAM-SE 666
"Este livro se destina a pouquíssimos. Talvez ainda não viva nenhum deles. Quem sabe sejam os que compreendem meu Zaratustra: como eu poderia me confundir com aqueles a quem já hoje se dá ouvidos? - Só o depois de amanhã me pertence. Alguns nascem póstumos." 1888
1.
Olhemo-nos no rosto. Nós somos hiperbóreos - sabemos muito bem o quão à parte vivemos. "Nem por terra nem por mar encontrarás o caminho que leva aos hiperbóreos": Píndaro já sabia isso ao nosso respeito.* Além do norte, do gelo, da morte - nossa vida, nossa felicidade...
Nós descobrimos a felicidade, conhecemos o caminho, encontramos a saída de milênios inteiros de labirinto. Quem mais a encontrou? - Acaso o homem moderno? "Eu não sei entrar nem sair; eu sou tudo aquilo que não sabe entrar nem sair" - suspira o homem moderno... Dessa modernidade estávamos doentes - da paz preguiçosa, do comprmisso covarde, de toda a imundície virtuosa do sim e do não modernos. Essa tolerância e largeur** de coração, que tudo "perdoa" porque tudo "compreende", é siroco para nós. Antes viver no gelo do que entre virtudes modernas e outros ventos do sul!... Nós fomos valentes o bastante, não poupamos a nós nem aos outros: mas por muito tempo não soubemos o que fazer de nossa valentia. Tornamo-nos sombrios, chamaram-nos de fatalistas. Nosso destino - era a plenitude, a tensão, o represamento das forças. Ansiávamos por relâmpagos e atos, ficávamos o mais longe possível da felicidade dos fracotes, da "resignação"... Havia uma tempestade em nossa atmosfera, a natureza que somos escureceu - pois não havia caminho para nós. Fórmula de nossa felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta...
* Píticas, X, 29-30. Para os antigos gregos, os hiperbóreos eram um povo lendário que habitava uma região perpetuamente ensolarada na extremidade setentrional da Terra, além do vento norte (Bóreas).
** Largueza
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