NA SOMBRA...

NA SOMBRA...
Vem comigo?

quinta-feira, 18 de março de 2010

TORRE DE BABEL


"Segundo a narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre construída por um povo com o objetivo que o cume chegasse ao céu, para que não fossem espalhados sobre toda a terra. Deus parou este projeto ao confundir a sua linguagem e espalhar o povo sobre toda a terra. Esta história é usada para explicar a existência de muitas línguas e raças diferentes. A localização da construção teria sido na planície entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia (atual Iraque), uma região célebre por sua localização estratégica e pela sua fertilidade."
Wikipédia

Se é ou foi ou não ou não sei, pelo menos vem de uma linhagem familiar que é uma beleza! Afinal de contas, depois que Deus ficou putinho (o Cara vive tendo piti, minha santa!), ele matou tudo o que existia na face da terra, alagando até o cume (a rosa no cume cheira, o sol no cume arde...) mais alto - nem 2012 teve essa idéia... -e deixou só a família do Noé, vagando numa balsa por aí, brincando de zoológico flutuante.
Bem, ao secar o dilúvio alucinante do Alucinado (imaginem o cheiro de morte e lodo e lama e putrefação depois disso), a família do bom velhinho Noé teve que se desdobrar em surubas familiares homéricas pra povoar toda a porra do mundo de novo, né?????
Surubas incestuosas à parte, essa sagrada família entrou na história porque a Bíblia cita que foram os descendentes de Noé que decidiram construir a Torre de Babel.
E ela me veio à cabeça por causa da minha última viagem à Europa, onde não só visitei 4 países em 4 semanas, como também convivemos com mais de 20 países diferentes nos eventos.
Então, na hora dos rangos, naqueles galpões gigantes, a visão do mito da Torre sempre vinha na minha mente - não mente, mente quem está detrás da lente - , porque a cada 3 a 5 passos o mundo mudava, a língua entortava e nada era compreensível (ainda mais em Budapeste). Japoneses, coreanos, húngaros, brasileiros, argentinos, alemães, britânicos, espanhóis, russos, portugueses, mongóis, uzbeques, franceses, holandeses, belgas, argelinos, marroquinos, egípcios...affff...muito bom!
Obrigado, Alucinado inconformado, por ter criado os loucos que falavam entre si e não se entendiam, porque hoje em dia, isso leva a um entendimento bem maior que confusão! Pela compreensão da não possibilidade de compreensão, o nível de carinho e atenção e respeito e busca de contato é enorme!
E o entendimento é universal. Além de falarmos a língua do Judô, do esporte, falamos a língua do respeito, admiração, tolerância (creiam, há até judeus no processo!!!), curiosidade e aprendizagem.
Obrigado. Thank you. Merci. Dankie. Danke. شكرا. благодарности. 감사합니다. vďaka. vala Hvala. Gracias. Aitäh. Bedankt. Köszönöm. Grazie. ありがとう. Dzięki. Mulţumesc. Cпасибо. Teşekkürler...

quarta-feira, 10 de março de 2010

MACHADO DE ASSIS


PUTA QUE PARIU! O JOSÉ MINDLIN MORREU...TAMBÉM, PORRA, COM QUASE CEM ANOS, JÁ ESTAVA ATÉ ATRASADO PRO BONDE DO CÉU (OU DO INFERNO, NÃO SEI ONDE ELE GOSTARIA DE IR...)

Em sua homenagem, fui com mais sede ao pote no meu rolé de domingos pelos sebos de rua do Catete e adjacências...e eis que me deparo com uma bela coleção de Machado de Assis (quase na esquina da rua homônima!), incompleta, capa dura, verde, com sua caricatura em baixo relevo na capa frontal, sobre sua assinatura.

São 29 livros, que negociei ao máximo até o preço de R$ 38,00. Como tinha R$ 50, 00 no bolso, fiz minha cena mecenas e dei uma boa gorjeta pro gordinho que carrega toneladas de livros todo domingo pra vagabundagem da área ficar folheando, sem comprar quase nenhum.

Não conhecia essa coleção, e ele já havia vendido alguns livros avulsos, por R$ 5,00. Me sobraram:

1- Ressurreição (...Minha idéia ao escrever êste livro foi pôr em ação aquêle pensamento de Shakespeare: "Our doubts are traitors, / And make us lose the good we oft might win, / By fearing to attempt." Não quis fazer romance de costumes; tentei o esbôço de uma situação e o contraste de dois caracteres; com êsses simples elementos busquei o interêsse do livro. A crítica decidirá se a obra corresponde ao intuito, e sobretudo se o operário tem jeito para ela. É o que lhe peço com o coração na mão. Machado de Assis, 1872)

3- Helena (...Capítulo I - O conselheiro Vale morreu às 7 horas da noite de 25 de abril de 1859. morreu de apoplexia fulminante, pouco depois de cochilar a sesta, - segundo costumava dizer,- e quando se preparava a ir jogar a usual partida de voltarete em casa de um desembargador , seu amigo...)

4- Iaiá Garcia (...I - Luís Garcia transpunha a soleira da porta, para sair, quando apareceu um criado e lhe entregou esta carta: "5 de outubro de 1866. Sr. Luís Garcia - Peço-lhe o favor de vir falar-me hoje, de uma a duas horas da tarde. Preciso de seus conselhos, e talvez de seus obséquios. - Valéria"...)

5- Memórias Póstumas de Brás Cubas (...AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER DEDICO COM SAUDOSA LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS...)

6- Quincas Borba (...I - Rubião fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa em Botafogo, cuidaria que ele admirava aquêle pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa...)

7- Dom Casmurro (...Capítulo I - Do título - Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu...)

9- Memorial de Aires (...1888, 9 de janeiro - Ora bem, faz hoje um ano que voltei definitivamente da Europa. O que me lembrou esta data foi, estando a beber café, o pregão de um vendedor de vassouras e espanadores: "Vai vassouras! vai espanadores!"...)

10- Histótias da Meia-Noite (...A parasita azul - Capítulo I - Volta ao Brasil - Há cerca de dezesseis anos, desembarcava no Rio de Janeiro, vindo da Europa, o Sr. Camilo Seabra, Goiano de nascimento, que ali fora estudar medicina e voltava agora com diploma na algibeira e umas saudades no coração...)

11- Histórias Românticas (...Questão de vaidade - I - Suponha o leitor que somos conhecidos velhos. Estamos ambos entre as quatro paredes de uma sala; o leitor assentado em uma cadeira com as pernas sobre a mesa, à moda americana, eu a fio comprido em uma rede do Pará que se balouça voluptuosamente, à moda brasileira, ambos enchendo o ar de leves e caprichosas fumaças, à moda de toda gente...)

12- Papéis Avulsos (...O alienista - I - De como Itaguaí ganhou uma casa de Orates - As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil,, de Portugal e das Espanhas...)

13- Histórias sem Data (...A Igreja do Diabo - Capítulo 1 - De uma idéia mirífica - Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fôssem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada...)

14- Várias Histórias (...A cartomante - Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando êste ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras...)

15- Páginas Recolhidas (...O caso da vara - Damião fugiu do seminário às onze horas da manhã de uma sexta-feira de agosto. Não sei bem o ano; foi antes de 1850. Passados alguns minutos parou vexado; não contava com o efeito que produzia nos olhos da outra gente aquêle seminarista que ia espantado, medroso, fugitivo...)

16 e 17- Relíquias de Casa Velha (...Uma casa tem muita vez as suas relíquias, lembranças de um dia ou de outro, da tristeza que passou, da felicidade que se perdeu...) (...Valério - I - Valério era fluminense; veio à luz com a revolução de 1831. O pai estava em campo, enquanto ele nascia humildemente, entre as lágrimas de sua mãe e os cuidados de uma velha comadre...)

18- Poesias (...Crisálidas - 1864 - Musa Consolatrix: Que a mão do tempo e o hálito dos homens / Murchem a flor das ilusões da vida, / Musa consoladora, / É no teu seio amigo e sossegado / Que o poeta respira o suave sono...)

19- Teatro (...Desencantos FANTASIA DRAMÁTICA - A Quintino Bocaiúva - Interlocutores Clara de Sousa, Luís de Melo e Pedro Alves...)

20 e 21- Contos Fluminenses (...Miss Dollar - I - Era conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar...) (...Casada e viúva - I - No dia em que José de Menezes recebeu por mulher Eulália Martins, diante do altar-mor da matriz do Sacramento, na presença das respectivas famílias, aumentou-se com mais um a lista de casais felizes...)

22, 23, 24 e 25- Crônicas (...Auqarelas - os fanqueiros literários - 11 de setembro de 1859 - Não é isto uma sátira em prosa. Esbôço literário apanhado nas projeções sutis dos caracteres, dou aqui apenas uma reprodução do tipo a que chamo em meu falar sêco de prosador novato - fanqueiro literário...) (...Ao Acaso (Crônica da Semana) - 12 de junho de 1864 - também o folhetim tem cargo de almas. É apóstolo e converte...) (...Baladas - 22 de outubro de 1871 - Escapamos de boa! Ali ao pé de nós, a vinte minutos de viagem, ali na formosa Niterói, estêve há dias prestes a romper uma guerra terrível, - uma gerra entre a província do Rio de Janeiro e a Itália...) (...Notas semanais - 2 de junho de 1878 - I - Há heranças onerosas. Eleazar substitui Sic, cuja pena, aliás, lhe não deram os lavôres de estilo, a graça ática, e aquêle pico e sabor, que são a alma da crônica...)

26, 27 e 28- A Semana (...1892, 24 de abril - Na segunda-feira da semana que findou, acordei cedo, pouco depois das galinhas, e dei-me ao gôsto de propor a mim mesmo um problema...) (...1894, 1 de janeiro - sombre quatre-vingt-treize! É o caso de dizer, com o poeta, agora que êle se despede de nós, êste ano em que perfez um século o ano da terrível Revolução...) (...1895 - quem põe o nariz fora da porta, vê que este mundo não vai bem...)

29- Crítica Literária (...Exercer a crítica, afigura-se a alguns que é uma fácil tarefa, como a outros parece igualmente fácil a tarefa de legislador; mas, para a representação literária, como para a representação política, é preciso ter alguma coisa a mais do que o simples desejo de falar à multidão...)

30- Crítica teatral (...A arte dramática não é ainda entre nós um culto; as vocações definem-se e educam-se como um resultado acidental...)

31- Correspondência (...A Quintino Bocaiúva - Meu amigo, - vou publicar as minhas duas comédias de estréia; e não quero fazê-lo sem o conselho de tua competência...)
Obra cotejada e revista por Henrique de Campos, composta e impressa na Gráfica Editora Brasileira Ltda, SP, Brasil, 1953.

Agora eu vou me divertir profundamente! E juro dividir com vocês toda essa emoção...

Quer o Machado brandindo sobre sua cabeça? Acessa: http://www.machadodeassis.org.br/






segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ROLAND BARTHES


Incidente: etmologicamente, "aquilo que cai sobre alguma coisa". Nestas anotacoes e fragmentos de diário, Roland Barthes experimenta uma forma breve análoga ao haicai japones ou as "epifanias" de Joyce.

"Considero que o haicai é uma espécie de Incidente, de pequena prega, uma fenda insignificante numa grande superfície vazia. O haicai nao deseja agarrar nada, no entanto, há como que uma dobra sensual, o assentimento feliz a lampejos do real, a inflexoes afetivas. A consequencia rigorosa, mas também o que constitui a especialidade e a dificuldade do Haicai, da Epifania, do Incidente, é o constrangimento do nao-comentário. Extrema dificuldade (ou coragem): nao dar o sentido, um sentido; privada de todo comentário, a futilidade do INcidente se poe a nu, e assumir a futilidade é quase heróico." (R.B., A preparacao do romance)

Essas viagens longas, onde o tempo "é o tempo" (nocao definida em Zyon, do Neuromancer, de W. Gibbons), a formidável vaga no espaco te permite a reflexao e a inflexao. E entre um voo e outro pelos mares de nuvens européias, acabei de ler "Incidentes" (Roland Barthes).

Tive o privilégio de conhecer seu trabalho através de Ana C. (aah, meu doce amor, sempre voce, o sorriso mais belo e as bochechas mais gostosas que uma moca pode ter). Pois Ana me introduziu (esquisito verbo em relacao a um homossexual...eheheh) ao mundo de R.B. pelo magnífico "Fragmentos de um discurso amoroso". Primoroso.

Ele é culto, denso, charmoso e seco (o livro e o homem), e este Incidentes me deixou mais apaixonado ainda, e apreensivo, pois tem narrativa cronológica na última parte, que termina seis dias antes do meu aniversário de nove anos. Como eu torcia a cada página por seus escritos no "meu dia".


17 de setembro de 1979

Ontem, domingo, Olivier G. veio almocar comigo; para esperá-lo, recebe-lo, tinha tido todo o cuidado que geralmente demonstra que estou enamorado. Mas, já no almoco, sua timidez ou distancia me intimidava; nenhuma euforia de relacao, longe disso. Pedi-lhe que viesse ao meu lado, na cama, durante a sesta; ele veio muito gentilmente, sentou-se na beirada, leu um livro de figuras; seu corpo estava muito longe, se eu estendia o braco para ele, nao se mexia, fechado: nenhuma complacencia; aliás, logo se foi para o outro comodo. Fui tomado por uma espécie de desespero, tinha vontade de chorar. Via com evidencia que eu tinha de desistir dos rapazes, porque nao havia desejo deles por mim, e porque sou ou muito escrupuloso ou muito desajeitado para impor o meu; que isso era um fato incontornável, verificado por todas as minhas tentativas de flerte, que daí eu ter uma vida triste, que, finalmente, me entedio, e que eu preciso tirar esse interesse, ou essa esperanca, da minha vida. (Se tomo um a um os meus amigos - fora aqueles que nao sao jovens -, é cada vez um fracasso: A., R., J.-L. P., Saul T., Michel D. - R. L., limitado demais, B. M. e B. H., sem desejo etc.) Só me restarao os gigolos. (Mas que farei entao durante as minhas saídas? Noto sempre os jovens, desejando imediatamente, neles, ficar apaixonado por eles. Qual será para ,mim o espetáculo do mundo?) - Toquei um pouco de piano para O., a pedido dele, sabendo já que eu tinha desistido dele; ele tinha olhos muito bonitos, e rosto suave, abrandado pelos longos cabelos: um ser delicado, mas inacessível e enigmático, ao mesmo tempo meigo e distante. Depois mandei-o embora, dizendo que eu tinha de trabalhar, sabendo que estava acabado, e que além dele alguma coisa tinha acabado: o amor de um rapaz.

p.s.: desculpem a falta de sinais...estou em um computador europeu e nao sei mexer nessa merda!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

BUDA & PESTE




Segundo a Wikipédia:


"Budapeste é a capital e maior cidade da Hungria, sexta da União Européia. Localiza-se às margens do Danúbio...foi fundada em 17 de novembro de 1873 com a fusão das cidades de Buda e Ôbudsa, na margem direita do Danúbio, e Peste, do lado esquerdo. Seus habitantes chamam-se budapestinos."


Segundo Chico Buarque:


"húngaro é a única língua no mundo que o Diabo respeita"


Segundo euzinho:


DUCARALHO!


Que cidade linda...adoro estes espaços onde a história está tatuada nas pedras, no chão, no ar...velha, fria, dura! Andando nas ruas a cabeça vai lá onde a história não se contava, nem o tempo, nem a morte. Tudo faz sentido, a configuração geográfica, os contornos, as sombras, a água gelada do Danúbio (verde).


As muralhas onde sangue escorreu e lavou a rua, as torres onde a visão garantia o alimento e a sobrevivência frágil.


Amei...venham...andem...vejam...sintam...Danúbio majestoso...Budapeste, minha rainha...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

EU TE AMO


Adoro essa frase.

Falo bastante, inclusive, sempre pautado naquela velha idéia de que pode ser a última vez que vejo aquela pessoa viva...ou eu, né (i) CARALHO CADÊ MEU PONTO DE INTERROGAÇÃO (i)

E aí veem as formulações sobre como e por quê! Como amo (i) Por que amo (i) Será que eu tenho um jeito meio estúpido de ser e de dizer coisas que podem magoar e ofender (i) Será que sou o miguxo carinhoso e confidente de algum filho da puta (i)

Pensei muito nisso nos dois últimos dias que passei com meu filho e senti diferenças brutais nas sensações de amar as pessoas ao meu redor. Tinha ele, minha irmã, minha mãe, a outra irmã, minha muié e uns amiguitos mais chegados. E quando juntou essa turma toda, me peguei olhando em volta e classificando a parada toda! Classificação pra lá de torta e sem rumo...

mas da forma que fosse, sempre terminava na consciente afirmação interna de um belo e simples EU TE AMO.

E tem gente que economiza...alguns bem próximos, inclusive. Outros precisam de um leve empurrão: empurram goela abaixo uns litros de álcool ou um punhado de drogas, aí saem amando invertebradamente qualquer coisa. E se chegar a mim, fico honrado, dou aquele abraço meio saindo e digo o velho e bom EU TAMBÉM!

Fulanos acham que dizer isto é uma coisa séria demais. Demais é não amar ninguém. Não dizer nada, ficar se guardando. Como dizem os chineses: tá dentro, põe pra fora. Peida, arrota, tira meleca, bate punheta, caga gostoso, e diz EU TE AMO, cacete!
A pessoa que mais me emociona e que merece incontáveis gritos ao vento de EU TE AMO é meu bom e velho pai! Ele é um dos poucos que sempre me responde eu também, e que enche meu coração de ternura e meus olhos de lágrimas...
Saudades do bom velhinho.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Balé clássico



Quero dançar, nem sei se vale a pena...mas qualquer coisa em movimento sobre a ladainha de um balanço já é melhor que qualquer outra coisa.


Comecei dançando qualquer merda, com meus amigos da escola. Ficávamos na casa do Marcelo maluco, lá na Almirante Tamandaré, inventando coreografias sobre as músicas que mais gostávamos. Cada dia um interpretava o papel de coreógrafo da tchurmeca da meleca. Maluco era assim conhecido porque ele tinha um ratinho branco, daqueles de olhos vermelhos (puta que pariu), que adorava ficar brincando DENTRO da boca do sujeito.


Seu apê gigante, um por andar, nos permitia peripécias que depois aperfeiçoaríamos com a chegada dos inacreditáveis clipes do MJ, suas músicas alucinantes e nossa cada vez maior vontade de "se apresentar", como diria D. Iolanda.


Essa turma se desfez quando nos recaiu a seriedade do segundo grau e sua bazófia vestibulanda. Mas a vontade de se mexer nunca parou. Me considero um pé-de-valsa de primeira categoria, autodidata e autosuficiente (danço horas comigo mesmo, olhos fechados e o corpo a se embalar nos graves e volteios das pistas escuras). Como não tinha mais dança por perto, entrei no Kung Fu!


Mestre Alex Takahashi e seu fiel escudeiro Brás, na Rua Ipiranga, em uma garagem maluca, cheio de apetrechos de filmes de Bruce Lee - as madeiras que chutávamos, os sacos com bilhas de ferro de socávamos e a única porta, que não nos permitia fugir quando a porrada comia dos veteranos sobre nós.


Esse mestre, anos depois, se mostrou um completo demente desequilibrado - naquela época o considerávamos um meio demente desequilibrado - matando, a tiros, o dono do Clipper, por uma discussão idiota em dia de final de campeonato...


O Kung Fu é um solo! Você baila de acordo com o KATI, que é uma simulação prévia de ataques combinados contra você, de um ou mais oponentes (depende do seu nível de desempenho), em que você luta contra o vento.


Estilos como Garra-de-águia, Serpente-voadora, Tigre-rastejante etc. povoavam minha cabeça como coreografias chinesas que eu só via nos filmes antigos de porrada-spaguetti (tinha isso (i) ainda não achei o ponto de interrogação...caralho), que passavam ininterruptamente no Cine Rio Branco, hoje uma loja de departamentos no centro da cidade de Rio Branco, no Acre.


Um dia, cansado da coleção eterna de hematomas, escoriações e dores nos ossos, fui experimentar uma aula de JUDÔ! PRA QUÊ, NÉ (i)


Descobri o ANTI-BALÉ!!!


Muito instigante e intrigante. É um jogo de duplas, onde ninguém quer seguir o que o outro faz, o que geralmente ocasionaria sua projeção pelos ares, esborrachando-se no chão. Então começa o baile: eu vou pra lá e te arrasto, você não quer ir e me arrasta, agarrados pelos panos de mangas e golas, vamos girando em oposições e contrapontos, agonia e antagonia assimétrica e intencional, sem combinação prévia, até que alguém caia na "coreografia" do outro e se perca pelos caminhos do vento...


Isto tem sua passagem de solo também, onde a intimidade de contato chega a causar constrangimento a quem nunca viu e não entende e, de repente, vê aquilo, aquele rolo compressor de duas massas se enroscando, por cima, por baixo, entre, demente, até que sobre um pescoço ou um braço estirado pra ser apertado, torcido, esmagado, forçando assim que um dos parceiros desista do pé-de-valsa de minhocas.






Eu dancei uma ópera, profissionalmente.






Eu faço aula de balé clássico na faculdade Angel Viana, com a professora Lu Cao.






E a saudade dos palcos me levou a digitar essa merda toda.
Foto 1 - Léo Leite Jogando Flávio Canto, no treino da seleção brasileira de Judô em São Paulo, dia 25 de janeiro de 2010 (eu tirei a foto)
Foto 2 - olho de Lu e de Bê, que me vigiam e me seduzem, minha teacher do balé e seu gatíssimo (devidamente roubada do orkut, né)










sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

SAMPA, MEU!


Cá estou, na terra da garoa e da multifacetadada paulicéia desvairada.

O teclado desse computador nao é formatado, entao eu só sei onde é o acento agudo, o resto fica pra depois...

Estamos há 4 dias concentrados no hotel Mercury, da Rua Salto, bem próximo ao parque desportivo do Ibirapuera, onde se encontra o dojo (local de treinos de artes marciais) da FPJ (Federacao Paulista de Judo).

Ao entrar lá fiquei estupefato (A D O R O essa palavra): (opa achei os dois pontos) a estrutura física dos ginásios, piscinas, salas de treino, pista de atletismo etc É A MESMA da última vez que estive lá (em 1996, terminando ciclo olímpico de Atlanta e começando o de Sydney - opa achei o ç). Isso é uma mostra do descaso, incompetencia e péssima estrutura de manutenção e (opa achei o til) planejamento que o país aplica nas suas estruturas desportivas e recreativas.

Administrado por um grupo político que pouco ou nada sabe de esportes de rendimento, cai na malha fina da teia burocrática dos ineficientes e acaba por nao servir a muita coisa que nao seja a ladainha cotidiana.

As paredes descascadas, o chão cheio de irregularidades, banheiros imundos e fétidos, salas de musculação como há muito se vê (do século passado...) e muita tristeza nas linhas geométricas expostas às (opa achei a crase) ações do tempo, tempo , tempo, tempo, tempo, "senhor da razão"...(opa achei as aspas).

Se o cartão de visitas da cidade, em termos desportivos, se encontra neste estado, e o de uma cidade como SP, empertigada, imagina a escória do país, por onde não anda (i) (ainda não achei o ponto de interrogação).

Pleiteando um cargo de potência (opa achei o circunflexo) olímpica, estamos mais pra impotência que pro orgasmo.

PAU NO CU DOS FILHOS DA PUTA QUE COMEM MEU DINHEIRO NO ALMOÇO E CAGAM MINHA PACIÊNCIA NO JANTAR!



As grandes equipes de atletismo há muito abandonaram o espaço, que já foi usado pelos melhores atletas do Brasil, como Maureen 'voadora', por exemplo...
foto: parque aquático do Ibirapuera, com as piscinas imundas e sem manutenção (by euzinho mesmo)